Ausência
Vinícius de Moraes



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.



Cansei, li uma 'frase de agenda' que tem tudo a ver com o momento: "Faz a tua ausência para que alguém sinta a sua falta. Mas não a prolongue demais para que esse alguém não sinta que pode viver sem você.". Já não sinto a sua falta da mesma maneira, é diferente, já não sinto vontade de estar ao seu lado, porque cansei. Estou cansada e preciso mais de mim do que de você.

No Ipod: Vê se me esquece - Ana Carolina.


2 comentários:

Simplesmente... Chiara 8 de novembro de 2009 06:57  

Deixo como comentário a Música da Isabella...

Quero mais é te perder
Isabella Taviani
Composição: Isabella Taviani

Olha bem, já passamos a chave
Ninguém sai, ninguém abre
eu te sobro, e você não me cabe
Olha bem, nossos passos mal dados
Nosso peito acuado
Hoje quer infartar
Olha bem, a tristeza é agora
Um dia o amor perde a hora
Ontem ele deu, hoje ele esmola
Olha bem, nossas bocas malditas
cospem fogo e saliva
ai de quem se atrever a calar
Ar, quero ar pra beber!
quero sangue correndo, pulsando, fervendo
e queimando você
Mais, quero mais é te perder!
que uma onda te leve, te afogue e te entregue a quem for
Mas lhe faça desaparecer

Olha só, vou me embora pra não ficar pior
Os meus restos embrulhe dê um nó
queime tudo ou deixe virar pó
Ouça bem o que eu falo abra a porta
Agua na seca não brota
dos nossos olhos transborda

Entenda sim, não há amor quando há nada
Ninguém perdeu se empata
Tentemos nova tacada
Olha que horror!
eu que já fui sua amiga
Hoje sou a bandida
que não lhe quer nem roubar

Ana Marques 9 de novembro de 2009 16:51  

Deixaram uma música, vou deixar o poema:

"Desejo"
por Ana Marques, dialogando com "Ausência" de Drummond

Para que deixas morrer o desejo?
De ver minha face ante a sua.
A vê, ainda que não esteja presente,
em tuas entranhas
dançando essa dança estranha
feita de gestos , de amor e de prazer

Ninguém pode notar,
mas você me pode ver.
Minha face roçando a tua...
Madrugada nua
em que danço dentro de você.

Não... mesmo longe não morre o desejo.
Porque desejo de carne, esse tens
que vem e vai.
Mas o desejo do espírito,
vive sem motivo,
dentro das tuas entranhas

Admirando uma dança,
sem poder definir
de onde vem, se pode partir.
Me leva consigo, não há escolha.
Parte. Deixando tudo.
E leva minha face ante a sua.

Mim te ama.

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